quinta-feira, 25 de julho de 2013

Mortes no trânsito são causadas por imprudência e estradas ruins

O trânsito é um maiores assassinos do Brasil. Mata mais que hepatite, dengue e gripe H1N1. Juntos. Ainda é menos letal que o câncer ou doenças do coração, mas ultrapassou o número (oficial) de assassinatos por armas de fogo. São 167 mortos por dia em ruas e estradas, algo como um Boieng 737 lotado. Todos os dias do ano.

As duas principais razões para as mortes no trânsito são o estado lastimável das estradas brasileiras e a imprudência ao volante.

Contra a primeira causa é possível ir às ruas, protestar, lutar por mais investimentos nas estradas de um país que, por erro de gestão, decidiu optar pelo transporte terrestre para tudo. Não interessa se há mais de 8 mil quilômetros de mar, nem mesmo se os trens são mais baratos, poluem menos e não atrasam. Algum gênio durante a ditadura, em pleno Milagre Brasileiro, quis concentrar o transporte nacional sobre rodas. Hoje o país sofre a consequência.

Mas contra o segundo motivo é, sim, possível abrir um cruzada. E, por mais impopular que seja, a saída é estabelecer multas pesadas para os pequenos delitos. E dobrar o valor a cada reincidência.

Lamentavelmente, contra a cultura do jeitinho e da irregularidade cotidiana é necessário um tratamento de choque. Rápido e de muita dor – no bolso. Em um ano esses números cairiam de forma acentuada.


A sugestão urgente para combater a barbárie é a seguinte:

Prefeituras e Polícia Rodoviária abrem vagas para trabalho temporário em caráter de urgência. Muitos, milhares, dezenas de milhares. Função: guarda de trânsito. Em cada rua pelo menos um guarda. Na ruas movimentadas, mais de um.

Máquina fotográfica em uma mão, papel e bloco na outra. A tarefa é fiscalizar e denunciar imediatamente as irregularidades. A renda da aplicação de pesadas multas paga salários e encargos dos novos fiscais e ainda sobra dinheiro para se investir na recuperação e duplicação de estradas.

Algumas das irregularidades mais comuns nas ruas:

1. Falar ao celular (ou digital mensagens) enquanto dirige – Hoje é impossível dar uma volta em alguma grande cidade brasileira e não ver um – ou mais – motorista falando ao celular. Como se fosse a coisa mais normal do mundo. Falar ao celular, além de utilizar 50% da habilidade manual, faz com que a atenção do motorista caia na conversa, não no trânsito.

2. Excesso de velocidade – As ruas têm limite, as avenidas também. Se há um limite é preciso respeitá-lo. E se alguém estiver atrasado, que saia mais cedo na próxima vez, mas não coloque em risco outros cidadãos. E nem explique seu atraso pelo celular.

3. Direção perigosa – Por que a mania de trocar de faixa e cortar a frente de veículos nas cidades? Por que o complexo de Ayrton Senna? Direção imprudente é alto risco para outros motoristas e para pedestres.

4. Película de proteção muito escuras – Não há controle na fabricação ou na instalação. Por isso milhares de carros circulam com os vidros bem mais escuros que o permitido, com o objetivo de esconder – da fiscalização – o que ocorre no seu interior. Falar ao celular, por exemplo. Diz a lei que a transparência dos vidros dianteiro e traseiro deve ser de ao menos 75%. E nos vidros laterais dianteiros 70%.

5. Embriaguês ao volante – É impressionante que apesar das campanhas de conscientização e das blitz o brasileiro ainda prefere correr o risco de ser pego – e de provocar um acidente – do que pegar um táxi, ou não beber fora de casa.

6. Paradinha "volto já"- A placa avisa, é proibido estacionar. Mas o "malandro" coloca seu carro e liga o pisca-alerta. Quer ir ao banco, sacar dinheiro, buscar a esposa na casa de amigos, comprar um litro de leite. Não importa. Se é proibido estacionar, é proibido deixar o carro mesmo com pisca-alerta aceso. Não importa o tempo.

Se a sociedade civil se mexer, como tanto se mexeu nos últimos tempos pedindo redução nas passagens de ônibus, por exemplo, é possível montar blogs em cada cidade só para denunciar motoristas imprudentes. Basta que cada cidadão tire fotos em poste em um site comum toda e qualquer irregularidade que verificar nas ruas. Mesmo sem multa, o responsável irá, no mínimo, se constranger.

O governo, por seu lado, deveria desacelerar o consumo desenfreado de carros novos. Não há mais onde colocar tantos automóveis que saem das montadoras. As ruas estão esgotadas, com engarrafamentos insolúveis. A infra-estrutura não acompanhou o aumento do volume de veículos. Nem vai acompanhar. E o governo ainda reduziu o valor do IPI, o que incentivou mais a compra de automóveis – e provocou profundo aumento nos assassinatos de trânsito.

Não é mais possível assistir calado à barbárie.

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