terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Jovens são detidos após praticarem direção perigosa


No último final de semana várias ligações para o 190 da Policia Militar, registraram que jovens estavam praticando direção perigosa e empinando seus ciclomotores na RN-016, nas proximidades do IFRN.

A equipe do NORE foi acionada para se dirigir até o local citado pelos populares, e quando estavam a caminho, localizaram um grupo de jovens com as características passadas pelo COPOM estacionados em um posto de combustível no centro de Assu.

Foram abordados e indagados sobre a documentação dos veículos. Os adolescentes se recuaram a fornecer os documentos e ainda disseram que não podiam ser abordados porque era de menores e estavam parados.

Os ciclomotores apresentavam a descarga do motor alterada, não tinham retrovisores e os sistemas de iluminação estavam alterados. Foi comunicado aos condutores que as cinquentinhas seriam conduzidas, quando um dos policias ao solicitar um dos celulares dos condutores, descobriu que os adolescentes tinham filmado as imprudências que acabaram de praticar na RN-016, e por coincidência do destino eram os mesmo que a população tinha denunciado.

E com isso, além do recolhimento dos veículos os condutores terão que se apresentar com seus responsáveis a delegacia de Assu para responder procedimentos legais.





Opinião:

Tornou-se comum no Brasil ver crianças e adolescentes a bordo de cinquentinha, como são conhecidas as motos de 50 cilindradas, e na nossa cidade de Assu o crescimento desenfreado dessas maquinas tem provocado vários transtornos a sociedade em geral.

Sem capacetes ou qualquer outro equipamento de proteção, vários deles acabam sendo vítimas de acidentes ou atingindo pedestres. Pegando como exemplo um recente levantamento feito pelo Comitê de Prevenção aos Acidentes de Moto em Pernambuco (Cepam) denuncia a situação: nos primeiros nove meses deste ano (1º de janeiro a 30 de setembro), 23 crianças morreram só no estado do Pernambuco pilotando cinquentinhas. Nesse mesmo período, 157 pessoas se acidentaram gravemente dirigindo ou a bordo de cinquentinhas e foram hospitalizadas na rede estadual do Sistema Único Saúde (SUS). Crianças e adolescentes entre 13 e 17 anos e idosos lideram o ranking de vítimas. Em Assu essas cinquentinhas ceifaram três vidas só nesse ano.

O principal motivo para que crianças e adolescentes sejam vistas costurando o trânsito da cidade com suas motocicletas é a falta de regulamentação dos veículos. Existe a irresponsabilidade dos pais, ao permitir que os filhos, ainda menores de idade, conduzam os veículos, mas a falta de registro e licenciamento impede uma fiscalização rigorosa. A presença de menores à frente das cinquentinhas fere uma das principais determinações do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que coloca a questão da maioridade entre os principais requisitos para se conduzir um veículo. Sem registro e licenciamento, os condutores ficam livres de habilitação, circulam sem capacete e descumprem regras básicas do trânsito, como estacionar em locais proibidos ou andar na contramão sem risco de multa.

Símbolo de status

A cidade que um dia já foi chamada como pedacinho de céu na terra, está se tornando um local insuportável de se viver. Todos os dias, um grupo numeroso de adolescentes se reúnem pelas ruas da cidade para exibir seus modelos. Veículos adesivados, com luzes de neon e batizados (“Ninho”, “Vida louca”, “Vem, novinha”), com esses símbolos alguns grupinhos se denominam gangs, e espalham a perturbação pelos quatros cantos da cidade, com seus canos esportivos, praticando pegas e empinando seus ciclomotores.

Essas reuniões às vezes são dispensadas pela presença de uma viatura policial, que repetidas vezes param os condutores e cobram o documento dos veículos. Mas as abordagens não impedem que o encontro aconteça em outros locais. Os veículos que apresentam alguma irregularidade são conduzidos ao pátio do 10º BPM, mas por não sofrerem nenhuma penalidade mais rigorosa, acabam sendo liberados no dia seguindo ao sanarem a irregularidade, e estão prontos para recomeçarem a perturbarem os lares dos cidadãos assuenses.

Essas gangs como se auto denominam, estão dominando não só a zona urbana, segue a imagem de uma carta que foi escrita por uma jovem que mora na comunidade da Mutamba da Caieira, localizada a 15km de Assu. Na carta a moradora faz um relato emocionante de como os ciclomotores tem perturbado a vida naquela comunidade. Ela pede ajuda e explica detalhadamente os fatos que acontecem.


Muitos ciclomotores não apresentam os equipamentos básicos de segurança, como o painel que marca quilometragem e nível de combustível, além das setas para indicar a direção que o piloto vai tomar. Até a potencia é alterada. Os condutores trocam o cilindro de 50 cc por um de 75 para esticar a quilometragem até 100 por hora, mas pode chegar a fazer mais. Quando a cinquentinha é alterada o motor fica mais barulhento.

A falta de informação parece ser um dos problemas mais sérios no Brasil. Especialista em trânsito e professor da Universidade Federal da Bahia, Israel Moura, afirma que os governos devem priorizar a educação, para só depois punir. “Na França, a grade curricular das escolas regulares inclui uma disciplina sobre educação no trânsito desde 1957. Os Estados Unidos copiaram o modelo em 1979”. Ele também critica a forma como o processo em torno da regulamentação das cinquentinhas vem sendo construído. “Criou-se a ilusão de que emplacar os ciclomotores e obrigar os condutores a usar capacete vai reduzir o número de acidentes. Nos Estados Unidos, o motociclista não é obrigado a usar o capacete, a liberdade de escolha do indivíduo é respeitada. Agora, se ele matar alguém no trânsito, vai preso no mesmo dia”. Israel Moura concorda que o emplacamento possibilitará a autuação dos infratores das leis de trânsito, mas reforça: “O que reduz acidente é educação”.





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